Escola Municipal de Educação Infantil "PROFª IVONNE DOS SANTOS DIAS" Bragança Paulista - SP
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Educação infantil para uma sociedade sustentável

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O futuro da educação infantil

Vital Didonet

. Se quisermos que as próximas gerações respeitem a natureza e cuidem do planeta Terra, é importante incluir agora no currículo da educação infantil o estudo da natureza e da interdependência entre o ser humano e o ambiente
Assuntos sobre o Meio Ambiente é de interesse da criança pequena? O que e como se trabalhar na educação infantil para que elas se tornem atores de uma nova consciência e uma nova atitude frente à vida e ao meio ambiente?
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Iniciemos pela pergunta sobre quando começar e por que tão cedo.
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Os primeiros anos de vida são os mais favoráveis para desenvolver atitudes e valores que formam a base da personalidade. A estrutura de valores e as atitudes construídas na primeira infância traçam a rota mais firme e estável para a vida. Ela será usada como referência para decisões importantes que o homem e a mulher deverão tomar nas diferentes fases e circunstâncias de sua existência. Os primeiros valores determinam os comportamentos éticos e morais ao longo da vida. Quando alguém se vê diante de dificuldades e situações complexas, ou quando um novo desafio exige uma decisão difícil de tomar, é a tais valores que vai recorrer. Na infância, eles se inseriram como sulcos na personalidade e depois passam a guiar opções e resoluções, reações e comportamentos.

Portanto, se quisermos que as próximas gerações respeitem a natureza e cuidem do planeta Terra, é importante incluir agora no currículo da educação infantil o estudo da natureza e da interdependência entre o ser humano e o ambiente. As crianças são muito sensíveis à natureza e a seus elementos - os animais, as plantas, as flores, os fenômenos do fogo, da água, da terra, do vento. Essa é a razão pela qual o contato lúdico com elementos da natureza sempre esteve presente na educação infantil.

O currículo de educação infantil geralmente inclui duas áreas de trabalho relacionadas ao ambiente: conhecimento, por meio de experiências concretas, da natureza e dos problemas que a estão afetando e ressignificação de materiais por meio da transformação e da reutilização. A primeira linha de ação é relativamente recente e consiste em conhecer os espaços naturais. Passeios, exploração dos ambientes, cuidado de pequenos animais, cultivo de horta, pomar e jardim levam as crianças ao encontro da natureza e também às iniciativas contra a poluição do rio, o lixo nas ruas, à coleta seletiva na escola. A segunda - reciclagem e uso de "materiais de sucata" para fins didáticos - tem a mesma idade do jardim-de-infância e da pré-escola (material de sucata é entendido aqui como aquele que já cumpriu a sua primeira destinação e pode adquirir outra).

Cabe, então, uma nova pergunta: o que isso tem a ver com a educação das crianças e, mais, com o desenvolvimento sustentável? A resposta começa na afirmação da Carta da Terra de que a construção de uma sociedade sustentável "requer uma mudança na mente e no coração". O que muda a mente e o coração mais do que a educação? Se no ensino fundamental e médio a educação tem o poder de modificar o entendimento e a maneira de se pôr diante da vida, na educação infantil ela não precisa mudar a mente nem o coração, pois começa quando eles estão começando a se formar. Tarefa bem mais fácil, pois. A transformação, pela reciclagem ou pela atribuição de outra finalidade a elementos da natureza, de objetos do passado e produtos da indústria, tem significado filosófico, psicológico e pedagógico e um profundo sentido ético nas relações entre as pessoas e destas com toda a existência. Que significado é esse?

Estamos vivendo num círculo vicioso de produção-consumo-substituição-descarte. Esse fenômeno está criando o hábito da substituição e uma corrida pela novidade. Decorre disso uma crescente atitude de desprezo pelo velho, pelo antigo, pelo modelo ultrapassado. Quantas pessoas sentem-se incomodadas em ter um eletrodoméstico, um telefone celular, um computador, um televisor velho, um pen-drive ou i-pod com baixa capacidade de armazenagem frente ao último lançamento! Algumas crianças ficam envergonhadas se seus pais vão buscá-las na escola com um carro velho...

Mais séria, no entanto, é a conseqüência disso sobre as relações humanas: o amor é visto como uma emoção passageira, a amizade como um sentimento superficial, as relações humanas passam a ser encaradas pelo critério da utilidade. Dessa forma, as pessoas podem ser facilmente substituídas, postas em segundo plano, abandonadas como objetos descartáveis. Um pequeno desentendimento ou um conflito ocasional é suficiente para cortar os laços que unem marido e mulher, pais e filhos, namorados, amigos. As pessoas idosas são vistas como estorvo, postas em lar de velhinhos, nunca visitadas por familiares.

Ressignificar um objeto pela transformação do seu primeiro objetivo em outro - por exemplo, transformar uma garrafa de plástico em ônibus ou uma lâmpada queimada em um artístico invólucro de um barco em miniatura - pode contribuir para desenvolver dois valores:
  • A Terra e tudo o que a faz ser um planeta habitado pela vida não valem só porque são úteis e enquanto servem ao interesse imediato de bem-estar, da acumulação de riqueza ou desfrute do ser humano, mas têm um valor intrínseco, que é a existência mesma, e uma condição de permanência e desenvolvimento determinada pela natureza e pela cultura;
  • As coisas têm uma existência multissignificante, ou seja, a noção de transutilidade aprofunda a visão humana sobre o significado do mundo e, conseqüentemente, da própria existência e das relações das pessoas entre si e com a natureza. Somos criadores de significados e portadores de muitos possíveis.

    Em síntese, além da sua dimensão econômica e ecológica, a reciclagem, a preservação e a ressignificação portam valor psicológico, filosófico e pedagógico. Somos como pontos de uma teia de relações na qual todos são importantes e significativos. Pertencemos ao mundo; em vez de "donos", somos irmãos de tudo o que há no universo. São Francisco de Assis entendeu essa dimensão de fraternidade universal a ponto de chamar irmão sol, irmã lua... Esse comportamento leva também ao reencontro do valor das pessoas, de sua dignidade intrínseca, seu desejo de ser mais, seus sonhos de felicidade e amor. As pessoas não podem ser usadas nem descartadas, não valem pela utilidade ou produtividade econômica, nem perdem a dignidade e o respeito com a idade.

    Os valores e as atitudes recomendados pela Carta da Terra − reverência à vida, firme com­pro­misso de alcançar a sustentabilidade, intensificação da luta pela justiça e pela paz e alegre celebração da vida − constituem um belo e desafiador programa de educação ambiental na escola.

    Fonte: Revista Pátio - Ano VI - Nº 18

Este texto é relativo ao conteúdo do nosso projeto anual, A IVONNE É 10!! (Em comemoração pelos 10 anos da nossa escola!) pertinente ao tema - "EU USO E NÃO ABUSO", onde cada turma está desenvolvendo subprojetos, de acordo á faixa-etária e desenvolvimento de cada grupo. Em breve postaremos os demais trabalhos que foram e estão sendo desenvolvidos dentro do tema.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

PARE!! PENSE!!

A escola Ivonne, como referência de um espaço que respeita e promove a infância, compartilha mais um vídeo, que faz parte dos que serão discutido com os pais, dentro da temática: Eu uso e não Abuso!
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dias da Mães?????

Não podemos deixar de colocar nossa posição diante à algumas práticas que vemos ser valorizadas em algumas escolas. Respeitamos todas as opiniões e cada educador tem o direito de conduzir sua prática pedagógica como lhe convém, porém como educadores, formadores de opinião que somos, temos a responsabilidade político-social de refletirmos sobre algumas imposições desta sociedade consumista.

"[...] Muitas escolas tambem estão permanentemente querendo agradar aos pais e entram nesse "barco" da sociedade de consumo: é preciso comemorar o dia do amigo, da família, das avós, das mães, dos pais, do coelho e do papai noel... É claro que manter tradições culturais, cívicas e/ou religiosas é algo fundamental para as crianças pequenas e precisa constar no currículo, mas o importante é a construção do sentido (real ou imaginário) dessas práticas e não apenas a comemoração. Portanto, menos datas, mais significação. É possível afirmar que, para o desenvolvimento de um projeto, o que se faz é uma opção pelo aprofundamento dos conhecimentos e não pela extenção dos mesmos[...].
(BARBOSA & HORN, 2008, p.40)


segunda-feira, 22 de março de 2010

Onde estão os tatus-bola?


Tatus-bola deveriam ser elevados à categoria científica infantil
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-Por Renata Meirelles-
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Ali escondidinhos, descansando, por debaixo de um amontoado de tijolos arruinados, de potinhos e latas que servem de ninho para as flores, ficam eles criando famílias inteiras de serzinhos que viram bolinhas quando ameaçados.


Estar em evidência não é bem sua característica predileta, portanto, se deseja visitá-los, largue-se ajoelhado no chão e comece a cutucar cantinhos úmidos. Surpresas terá ao encontrar também uma infinidade de outras naturezas vivas. Sem contar que a família dos tatus-bola tem uma variedade de espécies suficiente para criar enredos magníficos quando nas mãos de crianças. Existem os mais escuros e gordinhos, que enrolam direitinho, os mais chatos e “pernudos”, que não enrolam tão bem, e os de maior tamanho, que mais parecem besouros. Caminham levemente pelas mãozinhas das crianças, sem perigos iminentes, não pertencem à categoria dos nojentos, não exalam cheiros nem gosmas, e ainda levam a grande vantagem de poderem, rapidamente, se transformar de seres caminhantes em seres rolantes. Uma maravilha para quem está buscando explorar o chão que pisa, descobrir os pequenos mistérios da vida e experimentar uma rica oportunidade de conhecer a si mesmo por meio do brincar.

Material pedagógico



Com todo esse potencial, os tatus-bola deveriam ser elevados à categoria científica infantil e receber local de destaque em qualquer espaço que se diga educativo. Deveriam fazer parte do material pedagógico de cada escola, dos currículos e planejamentos da educação infantil, com a seguinte regra: toda escola deve possuir uma quantidade mínima de tatus-bola por aluno. Talvez assim nós nos preocupássemos em aproximar a criança da sua natureza.

Eles representam uma gama de outros seres que têm a mesma função exploratória na infância: os grilos, gafanhotos, vaga-lumes, minhocas, joaninhas, caramujos, formigas, lagartixas, cigarras, mutucas, louva-deuses, besouros, abelhas, aranhas e
tantas outras matérias-primas para a brincadeira e o devaneio infantil.


Mas, infelizmente, não é bem isso que a gestão das escolas – que poderiam ser grandes propulsores – tem priorizado. Hoje, conhecer é opinar, criticar, discutir. E escola é celeiro do saber, do conhecer. Tatus-bola não são temas das discussões
do mundo adulto, portanto fechamos as portas das escolas para eles: “Aqui tatu-bola não entra”. E, como eles, outros interesses e necessidades de natureza infantil ficam de fora.

Estamos criando cidadãos conscientes da importância da preservação do meio ambiente, formamos alunos capazes de descrever todos os efeitos da diminuição da camada de ozônio e de listar os perigos da extinção de espécies como as baleias e o mico-leão-dourado, que sabem reciclar o lixo e economizar a água... Informação não lhes falta, mas e a experiência?


Muito cuidado, pois “quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare”.

Espécie infância

Nessa mania ecológica que vivemos, tentamos preservar tudo menos a infância. Estamos criando reservas ecológicas de preservação de espécies, mas, ao mesmo tempo, oferecemos mais asfalto, cimento e prédios para as nossas crianças. Trocamos as sacolinhas plásticas dos supermercados por sacolas de pano, mas, ao mesmo tempo, distribuímos uma infinidade de brinquedos barulhentos e não recicláveis aos meninos.

Não temos tempo para cutucar a terra com nossas crianças.

A espécie infância corre risco de extinção e, ainda assim, sabemos mais sobre as baleias do que sobre tatus-bola do nosso próprio quintal.

Tem muita gente por aí proibindo criança de usar uma folha de árvore para fazer um brinquedo, de arrancar uma flor e criar algo belo, com o tal discurso comprado do “ecologicamente errado”.

“Menino, fique longe das plantas e dos bichinhos, você está machucando eles!”, soa ao longe a voz do tal ecológico.


O tal ecológico

Tenho mais pena desse tal ecológico que do menino. Afinal, a criançada tem seus meios de chegar na flor, no vaga-lume e nas árvores, mas o ecológico não. Ficou amarrado na cadeira, pensando no que é a natureza.

Convido, então, os tatus-bola a entrarem pela porta da frente e peço que nos ajudem a distinguir bem a diferença entre caminhar e enrolar.

Será que estamos caminhando ou enrolando?

Infantil III - B

Prô Elaine

fonte: Brincar -Um Baú de Possibilidades

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dia das Crianças

Dia das crianças
para nós é todo dia... Todos os dias que nos preocupamos em respeitar à Infância!!


Pelo Direito da Criança

Ruth Rocha

Toda criança do mundo deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo,
contra os rigores da vida.
Criança tem que ter nome, Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome, ter segurança e estudar.


Não é questão de querer, nem questão de concordar
Os diretos das crianças todos tem de respeitar.
Tem direito à atenção, direito de não ter medos
Direito a livros e a pão, direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem o direito de sorrir.
Correr na beira do mar, ter lápis de colorir...
Ver uma estrela cadente, filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente, Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador, fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor, brincar de adivinhação.
Morango com chantilly, ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi, bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela, ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela, poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas, contar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas e uma corda de pular.

Um passeio de canoa, pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa... Contar estrelas no céu...
Ficar lendo revistinha, um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha, um bom dum cahorro-quente.

Festejar o aniversário, com bala, bolo e balão!
Brincar com muitos amigos, Dar pulos no colchão.
Livros com muita figura, Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura... Alguém para querer bem...

Festinha de São João, com fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque e rojão, com quadrilha e bandeirinha.
Andar debaixo da chuva, ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva, sentir o cheiro do mar.

Pisar descalça no barro, comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro, noite de muito luar.
Ter tempo pra fazer nada, Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada... Falar pelos cotovelos. E quando a noite chegar, um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar... De preferência um colinho.
Uma caminha macia, Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita, Então, dormir e sonhar...

Embora eu não seja rei, Decreto, neste país,
Que toda, toda criança... Tem direito a ser feliz!

(Ruth Rocha)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Certezas que norteiam nossa prática e que nos ajudam a decidir

O que ensinar, Como ensinar e Porque ensinar.

1. Visar sempre a expressão criadora;
2. Estar sempre com as aulas planejadas;
3. Estar sempre preparada para mudar meu planejamento;
4. Potencializar a performance dos meus alunos;
5. Lembrar sempre que arte sem contexto histórico é arte sem memória;
6. Não existe expressão sem conteúdo!
7. Imaginação!
8. Emoção!
9. Comprometer-me com a sociedade em que vivo e com minha ação educativa;
10. Olhar para o fundo dos meus alunos, das suas relações, dos seus modos de vida;
11. Promover uma educação significativa através de conceitos significativos;
12. Facilitar processos de singularização;
13. Construir, des-construir e re-construir;
14. Integrar currículo e cultura;
15. Pesquisar sempre e tudo;
16. Comprometer-me com a libertação da dominação;
17. Celebrar o pluralismo e a diversidade;
18. Promover desenvolvimento cognitivo;
19. Jogar no mesmo time dos meus alunos e não no oposto e, finalmente
20. Ser feliz!


Estas verdades variam, pois também são variáveis as nossas certezas. O importante é ser fiel enquanto temos certeza delas, pois só assim faremos uma prática pedagógica que inspire confiança em nossos alunos e só assim eles embarcarão no fantástico mundo da expressão criadora, da construção do conhecimento e da apropriação das Multiplas Linguagens.

Professora Ilana Assbú Linhales Rangel, graduada em Educação Artística e mestra em Educação pela Puc-RJ. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Música.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Htpc

Este texto foi a proposta do Momento Cultural do nosso htpc de hoje - 05/05 - trazido pela professora Marcia.


Pedido de demissão da vida adulta


Venho por meio desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.

Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança.

Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as pessoas são honestas e boas.

Quero acreditar que tudo é possível.

Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo.

Quero de volta uma vida simples e sem complicações.

Estou cansada de dias cheios de papéis inúteis, computador, notícias deprimentes, contas, fofocas, doenças, e a necessidade de atribuir um valor monetário a tudo que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para ganhar dinheiro para pagar por coisas que verdadeiramente não necessito.

Não quero mais dizer adeus a pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida. Elas ficam, a partir de agora, eternamente vivas no meu mundo da imaginação.

Quero ter a certeza de que Ele está mesmo no céu, e que durante o sono nos encontramos e conversamos um monte.

Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva. A mesma chuva que me molhou inteira porque continuei brincando na rua.

Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.

Quero andar me equilibrando nos paralelepípedos como se fosse a grande equilibrista do circo.

Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque posso comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.

Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de cartas, dominó ou fazer túneis na areia da praia ...

Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, dos números de 1 a 10, das cantigas de roda, recitar a "Batatinha quando nasce" e isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia...

Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar e aborrecer.

Eu quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. E o que é mais: quero estar convencida de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro!

Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas do médico, o talão de cheques, os cartões de crédito, o contracheque, os crachás de identificação, o pacotão de contas a pagar, a declaração de renda, a declaração de bens, as senhas do meu computador e das contas no banco, e resolvam as coisas do jeito que quiserem. A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter de me pegar, porque...

PIQUE! O PEGADOR ESTÁ COM VOCÊ! e, para sair do pegador, só tem um jeito: demita-se você também dessa sua vida chata de adulto, e venha brincar comigo. Vamos andar na chuva sem medo do resfriado.

NÃO TENDO MEDO DE SER FELIZ!


-Conceição Trucom-

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Para ler e Refletir.

"Os bons professores podem persuadir seus alunos de que aprender não é uma imposição, uma interferência, um roubo da liberdade - mas uma constante excitação e a chave para a maior liberdade que eles já conheceram.
Um bom educador lembra que também já foi criança - e compreende os terrores e as angústias, a inquietação e as alegrias dos alunos na sala de aula.
Imagem de violência, raiva e cobiça devoram-nos. batem a nossas portas. Mas aqui estamos a salvo. Neste reduzido espaço aprendemos a dar valor aos outros, a pensar, a estudar, a admirar as coisas, a encontrar paz e criatividade.
Um bom professor não fica assustado quando um aluno aparece na sala de aula com uma cobra de estimação e quer falar a respeito."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tempos de Mudança

“ Quando é necessário mudar? Antes que seja necessário”
-Claus Muller-



"Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutro, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo".

Paulo Freire.

sábado, 28 de março de 2009

Atividades artísticas na educação infantil: Porque ir além dos esteriótipos?

Por ser um assunto muito discutido por nossa equipe, e por estarmos à véspera de uma data muito trabalhada na rotina escolar, resolvemos abrir este espaço para a exploração e reflexão deste tema que gera muitas polêmicas. Escolhemos e postamos um artigo que poderá dar suporte a esta reflexão. Leia e compartilhe conosco sua opinião a esse respeito.

Equipe da Ivonne





Qual a importancia de trabalharmos as Datas Comemorativas?

"A vontade de escrever esse artigo vem de presenciar as dúvidas cotidianas dos professores de Educação Infantil, com os quais tenho trabalhado, sobre as atividades artísticas na escola, seu papel, seus encaminhamentos, sua pertinência. Todas elas estão quase sempre ligadas ao que “pode e não pode”, ao que “deve e não deve” ser feito, dentro de uma proposta que prioriza a construção do conhecimento na criança. Sim, porque se essa não for a proposta da escola tudo fica bem mais facilitado. As prateleiras das livrarias e bibliotecas estão cheias de livros com receitas de atividades absolutamente descompromissadas com um pensamento artístico-educacional construtivista.


Infelizmente, o que ainda hoje se faz, na maioria das escolas, são atividades artísticas que não passam de um arremedo empobrecido e vazio, proposta ultrapassada e excluída do pensamento artístico-educacional da contemporaneidade por não representar as possibilidades de profunda e consistente transformação por meio do fazer artístico.

Muito já foi dito sobre a possibilidade de as manifestações artísticas iniciadas nos primeiros anos de vida serem significativas na formação de indivíduos socialmente adaptados e felizes. Porém, que tipos de manifestações o professor pode promover que tenham um efetivo papel nessa formação? Colorir “dentro” de desenhos prontos - feitos pelos próprios professores ou retirados de livros e revistas - colar algodão ou macarrão em folhas de papel colorido, carimbar as mãozinhas em cartolinas para fabricar cartões para os pais?

Não há receitas de como promover atividades significativas. É a formação e sensibilidade do professor que está na base de todas as questões, uma formação que ultrapassa o universo dos livros e das palestras e invade as esferas sociais e familiares.



Acredito que um dos vazios preocupantes nessa formação é o da constituição de um olhar mais crítico e atento sobre as imposições de nossa sociedade de consumo, bem como uma excessiva benevolência para com a mesma. Uma visita às escolas nas proximidades de datas comemorativas, sejam elas religiosas ou sociais, faz saltar aos olhos - e aos ouvidos muitas vezes - os problemas dessa complacência com a cultura do consumismo.



Pensemos na Páscoa, já que ela está por perto. Os coelhos invadem os ateliês e as salas de aula com uma potência indescritível. Proliferam-se em número absurdo e impensável. São máscaras, fantasias, cartões, cartazes, músicas e jogos, desenhos, colagens, pinturas, histórias e brincadeiras... Todas com o coelho. Ou melhor dizendo: com o estereótipo de um coelho. Aquele de olhos vermelhos e pêlo branquinho, de nariz cor-de-rosa e dois dentes enormes pendurados no focinho. Um coelho e seus ovos, por mais esdrúxulo que isso possa parecer. E, se os significados dessa festa e de seus símbolos, em geral, não são conhecidos nem pelos professores, nem pela direção das escolas, muito menos o são pelas crianças, que se vêem envolvidas nesse mar de comemorações e, logicamente, apenas dançam conforme a música.

Não estou aqui sugerindo que as escolas neguem-se a comemorações de qualquer espécie e passem a fazer panfletagem contra a sociedade de consumo. Apenas acredito que o desenvolvimento de um olhar crítico sobre as datas comemorativas, por exemplo, possa ser de grande valia na constituição do pensamento e das ações dessas crianças que hoje são incitadas a comer, cantar e produzir coelhos apenas porque o ato de comprar e revender mercadorias tem um poder tão absoluto em nosso meio social. As comemorações podem ser feitas, sim, pelas escolas e demais instituições, mas não precisam ser apenas e unicamente reflexos desse consumo exacerbado, que vem se intensificando ano após ano.Nos dias que antecedem a Páscoa, é difícil distinguir se estamos numa escola ou num supermercado. O problema do coelho e dos ovos proliferando-se nas atividades artísticas das crianças é a velha e boa questão: PARA QUÊ?

Se o interesse é promover a união e a confraternização entre os alunos e professores, por exemplo – um dos sentidos da Páscoa é a comunhão coletiva - porque não pensar em fazê-lo buscando outras referências distantes das que o comércio nos dá à exaustão?

Certamente existem diversas maneiras de rompermos com os empobrecidos estereótipos dos quais se revestem as datas comemorativas e fazermos delas um momento significativo para nossas crianças, tão terrivelmente bombardeadas por ideais consumistas. A escola tem papel fundamental nessa construção, porém é preciso aguçar os ouvidos e os olhares, atentar os sentidos todos e cutucar as idéias para que a imaginação dê conta de tarefa tão valorosa.

Podemos pensar na idéia mesma de “comemorar” - trazer à memória, fazer recordar - e criar, por exemplo, um calendário inventado pela classe ou por toda a escola. Que tal comemorar o Dia do Desenho Maluco, o Dia de Contar Histórias, o Dia do Medo, o Dia de Lembrar Sonhos, ou qualquer outra questão que seja significativa para as crianças e/ ou para os professores? Não faz mal nenhum para as crianças se repetirmos na escola as atividades promovidas pelos shoppings centers, mas... Qual o resultado disso? Essas atividades colaboram de que maneira na construção de seu mundo cognitivo e emocional?

Costumo dizer que as crianças pequenas estão apenas "engolindo" o mundo por todos os poros e buracos que podem usar para tal. Essas crianças vão se expressar plasticamente de maneira rica e diferenciada, quanto mais materiais e incentivos tiverem à disposição, mas o que vai haver de diferente no trabalho de cada uma, se todas ganharem um mesmo contorno de coelho para ser colorido? Ou todas pintarem individualmente uma mesma árvore de natal?

Então, uma boa lembrança é sempre perguntarmos o porquê e o como de cada atividade, antes de passá-las aos nossos alunos, pois o grande perigo é nos transformarmos também em simples comerciantes ou mercadores, senão de ovos de chocolate, de idéias."

-Ana Teixeira- Arte Educadora

http://www.anateixeira.com/edu/projetos.htm

quinta-feira, 19 de março de 2009

19 de Março - Dia Da Escola.

Pesquisando em alguns sites para confirmar, verificamos que não existe uma data oficial onde se comemora o "Dia da Escola", algumas fontes indicam dia 19 de março, outras dia 15 de Março, Mas isso não vem ao caso, até mesmo, por que aquí não nos prendemos à Data Comemorativas, e para nós, o Dia da Escola é TODOS OS DIAS!!!!!

A principal intenção desta postagem é refletirmos (mais um pouco), nas palavras do nosso mestre...

A ESCOLA

"Escola é...

O lugar onde se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos...

Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.

Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém.

Nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se ‘amarrar nela’!

Ora , é lógico...numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz."


Paulo Freire