Escola Municipal de Educação Infantil "PROFª IVONNE DOS SANTOS DIAS" Bragança Paulista - SP

segunda-feira, 22 de março de 2010

Onde estão os tatus-bola?


Tatus-bola deveriam ser elevados à categoria científica infantil
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-Por Renata Meirelles-
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Ali escondidinhos, descansando, por debaixo de um amontoado de tijolos arruinados, de potinhos e latas que servem de ninho para as flores, ficam eles criando famílias inteiras de serzinhos que viram bolinhas quando ameaçados.


Estar em evidência não é bem sua característica predileta, portanto, se deseja visitá-los, largue-se ajoelhado no chão e comece a cutucar cantinhos úmidos. Surpresas terá ao encontrar também uma infinidade de outras naturezas vivas. Sem contar que a família dos tatus-bola tem uma variedade de espécies suficiente para criar enredos magníficos quando nas mãos de crianças. Existem os mais escuros e gordinhos, que enrolam direitinho, os mais chatos e “pernudos”, que não enrolam tão bem, e os de maior tamanho, que mais parecem besouros. Caminham levemente pelas mãozinhas das crianças, sem perigos iminentes, não pertencem à categoria dos nojentos, não exalam cheiros nem gosmas, e ainda levam a grande vantagem de poderem, rapidamente, se transformar de seres caminhantes em seres rolantes. Uma maravilha para quem está buscando explorar o chão que pisa, descobrir os pequenos mistérios da vida e experimentar uma rica oportunidade de conhecer a si mesmo por meio do brincar.

Material pedagógico



Com todo esse potencial, os tatus-bola deveriam ser elevados à categoria científica infantil e receber local de destaque em qualquer espaço que se diga educativo. Deveriam fazer parte do material pedagógico de cada escola, dos currículos e planejamentos da educação infantil, com a seguinte regra: toda escola deve possuir uma quantidade mínima de tatus-bola por aluno. Talvez assim nós nos preocupássemos em aproximar a criança da sua natureza.

Eles representam uma gama de outros seres que têm a mesma função exploratória na infância: os grilos, gafanhotos, vaga-lumes, minhocas, joaninhas, caramujos, formigas, lagartixas, cigarras, mutucas, louva-deuses, besouros, abelhas, aranhas e
tantas outras matérias-primas para a brincadeira e o devaneio infantil.


Mas, infelizmente, não é bem isso que a gestão das escolas – que poderiam ser grandes propulsores – tem priorizado. Hoje, conhecer é opinar, criticar, discutir. E escola é celeiro do saber, do conhecer. Tatus-bola não são temas das discussões
do mundo adulto, portanto fechamos as portas das escolas para eles: “Aqui tatu-bola não entra”. E, como eles, outros interesses e necessidades de natureza infantil ficam de fora.

Estamos criando cidadãos conscientes da importância da preservação do meio ambiente, formamos alunos capazes de descrever todos os efeitos da diminuição da camada de ozônio e de listar os perigos da extinção de espécies como as baleias e o mico-leão-dourado, que sabem reciclar o lixo e economizar a água... Informação não lhes falta, mas e a experiência?


Muito cuidado, pois “quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare”.

Espécie infância

Nessa mania ecológica que vivemos, tentamos preservar tudo menos a infância. Estamos criando reservas ecológicas de preservação de espécies, mas, ao mesmo tempo, oferecemos mais asfalto, cimento e prédios para as nossas crianças. Trocamos as sacolinhas plásticas dos supermercados por sacolas de pano, mas, ao mesmo tempo, distribuímos uma infinidade de brinquedos barulhentos e não recicláveis aos meninos.

Não temos tempo para cutucar a terra com nossas crianças.

A espécie infância corre risco de extinção e, ainda assim, sabemos mais sobre as baleias do que sobre tatus-bola do nosso próprio quintal.

Tem muita gente por aí proibindo criança de usar uma folha de árvore para fazer um brinquedo, de arrancar uma flor e criar algo belo, com o tal discurso comprado do “ecologicamente errado”.

“Menino, fique longe das plantas e dos bichinhos, você está machucando eles!”, soa ao longe a voz do tal ecológico.


O tal ecológico

Tenho mais pena desse tal ecológico que do menino. Afinal, a criançada tem seus meios de chegar na flor, no vaga-lume e nas árvores, mas o ecológico não. Ficou amarrado na cadeira, pensando no que é a natureza.

Convido, então, os tatus-bola a entrarem pela porta da frente e peço que nos ajudem a distinguir bem a diferença entre caminhar e enrolar.

Será que estamos caminhando ou enrolando?

Infantil III - B

Prô Elaine

fonte: Brincar -Um Baú de Possibilidades

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